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Relato do 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback - Clarice Steil Siewert

4 Mar 2016

Teatro Playback no Brasil: um caminho na direção do Encontro

 

Clarice Steil Siewert* (com a colaboração de diversos participantes do Encontro)

 

O Teatro Playback foi trazido para o Brasil em 1998, e teve como grupo precursor a São Paulo Playback Theatre. Foi também em São Paulo que aconteceu uma das Conferências Internacionais em 2007. Naquela época, existiam poucos grupos atuantes no país (nas cidades de São Paulo, Curitiba e Brasília), e a Conferência não chegou a configurar um encontro entre os playbackers brasileiros.

 

Mas aos poucos, a necessidade de conhecer uns ao outros foi aumentando. Já no final de 2007, logo após a Conferência, Rea Dennis voltou a São Paulo para unir os laços de quem fazia Playback na cidade. Em 2008, em seu processo de formação, a Dionisos Teatro, de Joinville, promoveu um curso também com a Rea e com a Magda Miranda, e nele, praticantes de Curitiba, Florianópolis e Joinville começaram a partilhar conhecimento. Outro passo na direção desse encontro foi a Conferência Internacional em Frankfurt, em 2011. Lá, o grupo Nhemaria, de São Paulo, fez uma apresentação com um tempero bem brasileiro, unindo todos em volta de uma panela de brigadeiro, possibilitando que o doce típico, junto com as histórias pessoais, pudessem ser compartilhados com pessoas de outros 32 países. Aquele foi um momento de se olhar, e ver que os grupos estavam aumentando, assim como sua diversidade em termos estéticos e de campos de atuação. 

 

 

Em 2014, com a vinda dos cursos do Centro de Playback para Curitiba, o caminho do Encontro foi finalmente traçado. No último dia do curso avançado, ministrado por Jonathan Fox, os participantes se olharam e viram que precisavam tomar as rédeas sobre os próximos passos do movimento de Teatro Playback no país.

 

 

Cada um expressou rapidamente as coisas que aprendeu e vivenciou naqueles dias. Toda essa energia gerada culminou num grupo de pessoas que decidiram botar a mão na massa. Em 2015, na Conferência em Montreal, esse movimento foi consolidado internacionalmente, visto que os representantes brasileiros neste encontro se uniram para fazer uma apresentação com uma “cara” brasileira, marcando simbolicamente este momento vivido pelos praticantes do país. 

 

 

O comitê organizador do Encontro foi formado voluntariamente e, durante quase um ano, Victor, Bernardo, Daniele (de Curitiba); Sheila (de São Paulo); Clarice (de Joinville) e Rodolfo (de Belo Horizonte) se reuniram semanalmente para botar as ideias de pé. Visando realizar um Encontro da forma mais democrática possível, a “eleição” da cidade sede foi feita online, onde os playbackers brasileiros puderam assinalar sua preferência, após pesquisa prévia das possibilidades.

 

Dessa forma, Joinville foi escolhida para sediar o 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback. A oferta do local de realização veio do grupo Abismo, que tem sua sede na AMORABI – Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Itinga. Trata-se de um local comunitário, localizado num bairro afastado do centro da cidade de Joinville, onde existe um CEI – Centro de Educação Infantil e um Espaço Cultural, onde acontecem apresentações culturais e aulas de teatro e artesanato (entre outras coisas) para a comunidade.

 

Assumindo um caráter comunitário e colaborativo, de forma a garantir a acessibilidade e representatividade, o Encontro teve como taxa de inscrição um valor simbólico de R$ 20,00, e opções gratuitas de acomodação (estilo acampamento ou hospedagem solidária).  O Encontro também contou com doações que foram utilizadas como ajuda de custo para a passagem aérea de playbackers de muito longe. Assim, Joinville recebeu na AMORABI 51 playbackers de 14 grupos diferentes dos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba e Distrito Federal.

 

E o Encontro aconteceu debaixo de uma chuva constante, entre os dias 09 e 12 de outubro de 2015. Jonathan Fox estava na abertura, através de um vídeo gentilmente gravado. O dia começava com um aquecimento de integração. As oficinas foram ministradas por participantes que se inscreveram antecipadamente, e abordaram temas como: interpretação, música, jogos de improviso, condução, a escuta do ator, semiótica, teatro espontâneo e meditação. A plenária aconteceu abordando os temas: Playback nas Universidades, na Comunidade, nas Empresas e através de Editais Públicos. Jo Salas também compareceu em uma videoconferência, falando e respondendo perguntas dos playbackers brasileiros. Aconteceram também as “Jam sessions”, espaço livre para fazer playback com as mais variadas pessoas. E teve festa também, com muita música e abraços apertados.

 

Como não poderia faltar, também aconteceram as apresentações. Foram 5 grupos se apresentando: Grupo Abismo, Libração (formado por atores surdos) e Cheios de Graça (formado por clowns) de Joinville, Caras de Palco de Florianópolis e uma apresentação especial dos playbackers mais antigos, que fechou o evento com chave de ouro. E era nesse momento sagrado das histórias que o Encontro acontecia. Encontro entre os playbackers e a comunidade local, entre surdos e ouvintes, entre pessoas de diferentes cidades e vivências.

 

O Encontro que iniciou sendo organizado por algumas pessoas, terminou como responsabilidade de todos. As “cucas”, gentilmente oferecidas pela comunidade da AMORABI, foram divididas; na hora do intervalo, várias pessoas se responsabilizaram pelo café; todos cuidaram da carona dos que não tinham carros; e a comunicação e integração entre surdos e ouvintes foi aumentando.

 

.

 

O Teatro Playback no Brasil tem inúmeros desafios pela frente. Como o próprio país, precisa lidar com um crescimento que respeite a diversidade. Assim como no microcosmo de um grupo, precisa saber quais valores precisam ser cultivados e quais posições estéticas, éticas e políticas tomar. A forma como se organiza e se realiza um Encontro reflete também os rumos que se quer para a prática. O 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback foi cheio de empoderamento, ternura e aconchego. Que venham os próximos!

 

*Clarice é atriz da Dionisos Teatro (Joinville), praticante de Teatro Playback desde 2008 e autora do livro “Nossas Histórias em Cena: um Encontro com o Teatro Playback”. Contato: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

Site do 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback: http://encontroplayback.wix.com/2015

 

 

 

Teatro Playback en Brasil: un camino al Encuentro

 

Un reporte del primer Encuentro brasileño de Teatro Playback

 

Clarice Steil Siewert*

(con el aporte de muchos participantes del Encuentro)

Traducido por Nadia Gómez Espinoza

 

El Teatro Playback llegó a Brasil en 1998 y la compañía pionera fue  Sao Paulo Playback Theatre. Fue también en São Paulo que la Conferencia Internacional  del año 2007, se llevó a cabo. Para entoncen, habían pocas compañías en el país (localizadas en Sao Paulo, Curitiba y Brasilia), y la Conferencia no marcó un encuentro entre las compañías  brasileñas  en si.

 

Pero poco a poco la necesidad de encontrarse con otros creció. Para finales de 2007, justo después de la Conferencia, Rea Dennis volvió  a Sao Paulo, a fortalecer las conexiones de los practicantes de playback  locales en la gran ciudad. En el 2008, como parte de su proceso de training, Dionisos Teatro de Joinville,  organizó una clase con Rea Dennis y Magda Miranda. En esa clase, practicantes de Curitiba, Florianópolis y Joinville comenzaron a compartir su conocimiento. Otro paso hacia el Encuentro fue la Conferencia Internacional de Frankfurt,en el 2011. Ahí, la compañía Nhemaria, de Sao Paulo, realizó una función llena de condimentos brasileños, reuniendo a todos alrededor de una olla de Brigadeiro, el chocolate típico del postre, así como también  de historias personales, que pudieron ser compartidas por personas de otros 32 países. Ese fue el momento de mirarnos unos a otros y ver que el número iba creciendo, tal como las diversas estéticas y aplicaciones.

 

 

En el año 2014, con las clases que el Centre for Playback Theatre llevó a Curitiba, el camino hacia el Encuentro estuvo claro finalmente. El ultimo día, de la última clase hecha por Jonathan Fox, los estudiantes se miraron unos a otros y vieron que ellos necesitaban tener un contenedor de los próximos pasos del movimiento del Teatro Playback en el país. 

 

 

Cada uno expresó brevemente lo que había aprendido y vivido durante esos días. Toda esa energía creada resultó  en un grupo de personas que se juntó para llevar a cabo la acción. En el 2015, en la Conferencia de Montreal, este movimiento se había reforzado internacionalmente, al ver que los participantes brasileños en el evento, se reunieron para realizar una función a “la manera brasileña”, representando simbólicamente el momento que los practicantes de ese país estaban viviendo. 

 

 

El comité organizador del Encuentro Brasileño fue creado voluntariamente. Víctor, Bernardo y Daniel de Curitiba; Sheila de Sao Paulo; Clarice de Joinville; y Rodolfo de Belo Horizonte se reunieron por casi un año para juntar sus ideas y hacer que ocurriera el evento. Concentrándose en un Encuentro lo más democrático posible, la ciudad anfitriona fue elegida online, los practicantes de Playback brasileños pudieron votar por su preferencia, después de que todas las posibilidades habían sido investigadas y compartidas.

 

De esta forma, Joinville fue elegida para ser la anfitriona del  primer Encuentro de Teatro Playback Brasileño. La locación fue ofrecida por la compañía  Abismo, ubicada en AMORABI, Asociación de Residentes y Amigos del Vecindario de Itinga. Es un espacio comunitario en un vecindario lejano del centro de Joinville. Tiene un espacio cultural y preescolar donde las funciones, clases de teatro, artesanía, entre otras acitvidades, se realizan para la comunidad.

 

Haciéndose cargo de la comunidad y en una naturaleza colaborativa, enfocado en ser accessible finacieramente y asegurar una participación diversa, el Encuentro tuvo una cuota de inscripción de $20 reales (aproximadamente $5 dólares americanos). También se ofreció opciones de alojamiento gratis (en camping u hospedaje solidario). El Encuentro también recolectó donaciones, usadas para pagar los pasajes aéreos de participantes que venían de distancias más lejanas. De esta forma, Joinville alojó en AMORABI 51 participantes de 14 compañías diferentes, que venían de los estados de Santa Catarina, Paraná, Sao Paulo, Minas Gerais, Paraíba y el Distrito Federal.

 

El Encuentro tuvo lugar bajo una constante lluvia, del 9 al 12 de Octubre de 2015. Jonathan Fox estuvo en la apertura, en un video que amablemente había  grabado antes. Los días comenzarían con un caldeamiento de integración. Los talleres fueron realizados por participantes que se habían registrado previamente, y se abordaron temas como: actuación, música, juegos de improvisación, conducción, la escucha del actor, semiótica, teatro espontáneo y meditación. La sesión plenaria se enfocó en el  Playback en Universidades, en la Comunidad, en Corporaciones y por medio de subvenciones. Jo Salas también participó del evento a través de una video conferencia, conversando y respondiendo las preguntas de los practicantes de Playback brasileños. También hubo “Sesiones improvisadas de Playback”, un espacio libre para hacer Playback con distintas personas. Y también hubo una fiesta, con mucha música y fuertes abrazos.

 

Y por supuesto hubo funciones. 5 grupos actuaron.De Joinville estuvieron el Grupo Abismo, Libração (un grupo de personas sordas que hacen Playback) y Cheios de Graça (un grupo de clown). De Florianópolis estuvo Caras de Palco. Y también hubo una función especial con algunos de los más experimentados practicantes de Playback, cerrando el evento con una nota muy alta. Fue en esos momentos sagrados de historias que el Encuentro sucedió. Un encuentro entre los practicantes de Playback y la comunidad local, entre personas sordas y oyentes, entre personas de diferentes ciudades y diferentes orígenes.

 

El Encuentro que empezó siendo organizado por unas pocas personas, terminó siendo la responsabilidad de todos.  Las “cucas” (un pastel típico del sur de Brasil), ofrecido amablemente por la comunidad de AMORABI, fueron compartidos. Muchas personas tomaron la responsabilidad de preparar los coffe breaks. Cada uno se preocupó de encontrar la forma de llevar a quienes no tenían auto. Y la comunicación entre personas sordas y oyentes fue increscendo.

 

 

El Teatro Playback en Brasil tiene muchos desafíos por delante. Tal como el mismo país, es necesario lidiar con un tipo de crecimiento que respete la diversidad. Así como en el microcosmos  de un grupo se necesita entender qué valores deben ser cultivados y qué estética, ética y posiciones políticas se deben tomar. La forma en que un Encuentro es organizado y conducido también refleja las direcciones deseadas para el trabajo. El primer Encuentro Brasileño de Teatro Playback estuvo lleno de empoderamiento, sensibilidad y calidez. ¡Que vengan los próximos!

 

*Clarice es actriz de Dionisos Teatro (Joinville), practicante de Playback desde el 2008 y autora del libro ”Nuestras Historias en el escenario: un Encuentro con el Teatro Playback”.

Contacto: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

Página Web del Primer Encuentro de Teatro Playback Brasileño: http://encontroplayback.wix.com/2015

 

 

Playback Theatre in Brazil: a path towards the Gathering

 

A Report of the 1st Brazilian Playback Theatre Gathering

 

Clarice Steil Siewert*

(with the support of many participants of the Gathering)

Translated by Sheila Donio

 

Playback Theatre was brought to Brazil in 1998 and the pioneer company was São Paulo Playback Theatre. It was also in São Paulo that the 2007 International Conference took place. By then there were few active companies in the country (located in São Paulo, Curitiba, and Brasília), and the Conference did not mark a gathering between the Brazilian playbackers themselves.

 

But little by little the need to meet one another increased. At the end of 2007, right after the Conference, Rea Dennis went back to São Paulo to strengthen the connections of local playbackers in the big city. In 2008, during its training process, Dionisos Teatro from Joinville organized a class also with Rea, and with Magda Miranda. In that class, practitioners from Curitiba, Florianópolis, and Joinville started to share their knowledge. Another step towards this Gathering was the International Conference in Frankfurt, in 2011. There, the company Nhemaria, from São Paulo, did a performance full of Brazilian seasoning, gathering everyone around a pot of Brigadeiro so this typical chocolate dessert, as well as the personal stories, could be shared with people from the other 32 countries. That was a moment to look at each other and notice that the number of groups was increasing, just as their aesthetic diversity and applications. 

 

 

In 2014, with the classes that the Centre for Playback Theatre took to Curitiba, the path towards the Gathering was finally clear. On the last day of the last class, taught by Jonathan Fox, the students looked at each other and saw that they needed to take hold of the next steps of the Playback Theatre movement in the country.

 

 

 

Each one briefly expressed what they had learned and lived throughout those days. All the energy created resulted in a group of people coming together to take action. In 2015 at the Conference in Montreal, this movement was reinforced internationally, seeing that the Brazilian participants in the event got together to perform in “the Brazilian way,” symbolically representing the moment that the country’s practitioners were living. 

 

 

The organizing committee of the Brazilian Gathering was created voluntarily. Victor, Bernardo, and Daniele from Curitiba; Sheila from São Paulo; Clarice from Joinville; and Rodolfo from Belo Horizonte met for almost one year to put their ideas together and make the event happen. Focusing on a Gathering in the most democratic form possible, the host city was elected online, where Brazilian playbackers could vote on their preference, after all the possibilities had been researched and shared.

 

Through this method, Joinville was chosen to be the host city of the 1st Brazilian Playback Theatre Gathering. The location was offered by the company Abismo (Abyss), located at AMORABI – Association of Residents and Friends of Itinga Neighbourhood. It is a community space in a neighbourhood distant from downtown Joinville. It has a pre-school and a cultural space where performances, theater classes, craftwork, among other activities, take place for the community.

 

Taking on a community and collaborative nature, focused on being financially accessible and assuring a diverse representation, the Gathering had a registration fee of R$ 20,00 (approximately US$ 5.00). It also offered free options of accommodation (camping style or solidary housing).  The Gathering also collected donations used to purchase plane tickets for playbackers coming from further distances. This way, Joinville hosted in AMORABI, 51 playbackers from 14 different companies, coming from the states of Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, and the Federal District.

 

The Gathering happened under constant rain from October 9 to 12, 2015. Jonathan Fox showed up in the opening, via a video kindly recorded previously. The days would start with an integration warm-up. The workshops were facilitated by participants that had registered previously, and addressed themes like: acting, music, improv games, conducting, actor’s listening, semiotics, spontaneous theater, and meditation. The plenary session was focused on Playback in Universities, in the Community, in Corporations, and through grants. Jo Salas also participated in the event through a live videoconference, lecturing and answering questions from the Brazilian playbackers. There were also the “Playback Jam Sessions,” a free space to do Playback with a variety of people. And there was also a party, with lots of music and tight hugs!

 

And, of course, there were the performances. Five groups performed. From Joinville there were Grupo Abismo, Libração (a group of deaf playbackers), and Cheios de Graça (a group of clowns). From Florianópolis there was Caras de Palco. And there was also a special performance by some of the most experienced playbackers, closing the event on a high note. It was in those sacred moments of stories that the Gathering really happened. A gathering between the playbackers and the local community, between deaf and hearing, between people of different cities and different backgrounds.

 

The Gathering that started by being organized by a few people, ended up being everyone’s responsibility. The “cucas” (a typical cake from the South of Brazil), kindly offered by the community of AMORABI, was shared. Many people took the responsibility of setting up the coffee breaks. Everyone took care of finding rides for those who did not have a car. And the communication and integration between the deaf and the hearing continued to develop.

 

 

Playback Theatre in Brazil has a lot of challenges ahead. Just like the country itself, it needs to deal with a kind of growth that respects diversity. As in the microcosm of a group, it needs to understand which values must be cultivated and which aesthetic, ethical, and political stances can be taken. The way a Gathering is organized and conducted also reflects the directions wished for the work. The 1st Brazilian Playback Theatre Gathering was full of empowerment, tenderness and warmth. Let the next ones come!

 

*Clarice is an actress of Dionisos Teatro (Joinville), a Playback practitioner since 2008 and the author of the book “Nossas Histórias em Cena: um Encontro com o Teatro Playback” (Our Stories Onstage: an Encounter with Playback Theatre). Contact: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

1st Brazilian Playback Theatre Gathering website: http://encontroplayback.wix.com/2015

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Relato do 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback - Clarice Steil Siewert

4 Mar 2016

Teatro Playback no Brasil: um caminho na direção do Encontro

 

Clarice Steil Siewert* (com a colaboração de diversos participantes do Encontro)

 

O Teatro Playback foi trazido para o Brasil em 1998, e teve como grupo precursor a São Paulo Playback Theatre. Foi também em São Paulo que aconteceu uma das Conferências Internacionais em 2007. Naquela época, existiam poucos grupos atuantes no país (nas cidades de São Paulo, Curitiba e Brasília), e a Conferência não chegou a configurar um encontro entre os playbackers brasileiros.

 

Mas aos poucos, a necessidade de conhecer uns ao outros foi aumentando. Já no final de 2007, logo após a Conferência, Rea Dennis voltou a São Paulo para unir os laços de quem fazia Playback na cidade. Em 2008, em seu processo de formação, a Dionisos Teatro, de Joinville, promoveu um curso também com a Rea e com a Magda Miranda, e nele, praticantes de Curitiba, Florianópolis e Joinville começaram a partilhar conhecimento. Outro passo na direção desse encontro foi a Conferência Internacional em Frankfurt, em 2011. Lá, o grupo Nhemaria, de São Paulo, fez uma apresentação com um tempero bem brasileiro, unindo todos em volta de uma panela de brigadeiro, possibilitando que o doce típico, junto com as histórias pessoais, pudessem ser compartilhados com pessoas de outros 32 países. Aquele foi um momento de se olhar, e ver que os grupos estavam aumentando, assim como sua diversidade em termos estéticos e de campos de atuação. 

 

 

Em 2014, com a vinda dos cursos do Centro de Playback para Curitiba, o caminho do Encontro foi finalmente traçado. No último dia do curso avançado, ministrado por Jonathan Fox, os participantes se olharam e viram que precisavam tomar as rédeas sobre os próximos passos do movimento de Teatro Playback no país.

 

 

Cada um expressou rapidamente as coisas que aprendeu e vivenciou naqueles dias. Toda essa energia gerada culminou num grupo de pessoas que decidiram botar a mão na massa. Em 2015, na Conferência em Montreal, esse movimento foi consolidado internacionalmente, visto que os representantes brasileiros neste encontro se uniram para fazer uma apresentação com uma “cara” brasileira, marcando simbolicamente este momento vivido pelos praticantes do país. 

 

 

O comitê organizador do Encontro foi formado voluntariamente e, durante quase um ano, Victor, Bernardo, Daniele (de Curitiba); Sheila (de São Paulo); Clarice (de Joinville) e Rodolfo (de Belo Horizonte) se reuniram semanalmente para botar as ideias de pé. Visando realizar um Encontro da forma mais democrática possível, a “eleição” da cidade sede foi feita online, onde os playbackers brasileiros puderam assinalar sua preferência, após pesquisa prévia das possibilidades.

 

Dessa forma, Joinville foi escolhida para sediar o 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback. A oferta do local de realização veio do grupo Abismo, que tem sua sede na AMORABI – Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Itinga. Trata-se de um local comunitário, localizado num bairro afastado do centro da cidade de Joinville, onde existe um CEI – Centro de Educação Infantil e um Espaço Cultural, onde acontecem apresentações culturais e aulas de teatro e artesanato (entre outras coisas) para a comunidade.

 

Assumindo um caráter comunitário e colaborativo, de forma a garantir a acessibilidade e representatividade, o Encontro teve como taxa de inscrição um valor simbólico de R$ 20,00, e opções gratuitas de acomodação (estilo acampamento ou hospedagem solidária).  O Encontro também contou com doações que foram utilizadas como ajuda de custo para a passagem aérea de playbackers de muito longe. Assim, Joinville recebeu na AMORABI 51 playbackers de 14 grupos diferentes dos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba e Distrito Federal.

 

E o Encontro aconteceu debaixo de uma chuva constante, entre os dias 09 e 12 de outubro de 2015. Jonathan Fox estava na abertura, através de um vídeo gentilmente gravado. O dia começava com um aquecimento de integração. As oficinas foram ministradas por participantes que se inscreveram antecipadamente, e abordaram temas como: interpretação, música, jogos de improviso, condução, a escuta do ator, semiótica, teatro espontâneo e meditação. A plenária aconteceu abordando os temas: Playback nas Universidades, na Comunidade, nas Empresas e através de Editais Públicos. Jo Salas também compareceu em uma videoconferência, falando e respondendo perguntas dos playbackers brasileiros. Aconteceram também as “Jam sessions”, espaço livre para fazer playback com as mais variadas pessoas. E teve festa também, com muita música e abraços apertados.

 

Como não poderia faltar, também aconteceram as apresentações. Foram 5 grupos se apresentando: Grupo Abismo, Libração (formado por atores surdos) e Cheios de Graça (formado por clowns) de Joinville, Caras de Palco de Florianópolis e uma apresentação especial dos playbackers mais antigos, que fechou o evento com chave de ouro. E era nesse momento sagrado das histórias que o Encontro acontecia. Encontro entre os playbackers e a comunidade local, entre surdos e ouvintes, entre pessoas de diferentes cidades e vivências.

 

O Encontro que iniciou sendo organizado por algumas pessoas, terminou como responsabilidade de todos. As “cucas”, gentilmente oferecidas pela comunidade da AMORABI, foram divididas; na hora do intervalo, várias pessoas se responsabilizaram pelo café; todos cuidaram da carona dos que não tinham carros; e a comunicação e integração entre surdos e ouvintes foi aumentando.

 

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O Teatro Playback no Brasil tem inúmeros desafios pela frente. Como o próprio país, precisa lidar com um crescimento que respeite a diversidade. Assim como no microcosmo de um grupo, precisa saber quais valores precisam ser cultivados e quais posições estéticas, éticas e políticas tomar. A forma como se organiza e se realiza um Encontro reflete também os rumos que se quer para a prática. O 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback foi cheio de empoderamento, ternura e aconchego. Que venham os próximos!

 

*Clarice é atriz da Dionisos Teatro (Joinville), praticante de Teatro Playback desde 2008 e autora do livro “Nossas Histórias em Cena: um Encontro com o Teatro Playback”. Contato: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

Site do 1º Encontro Brasileiro de Teatro Playback: http://encontroplayback.wix.com/2015

 

 

 

Teatro Playback en Brasil: un camino al Encuentro

 

Un reporte del primer Encuentro brasileño de Teatro Playback

 

Clarice Steil Siewert*

(con el aporte de muchos participantes del Encuentro)

Traducido por Nadia Gómez Espinoza

 

El Teatro Playback llegó a Brasil en 1998 y la compañía pionera fue  Sao Paulo Playback Theatre. Fue también en São Paulo que la Conferencia Internacional  del año 2007, se llevó a cabo. Para entoncen, habían pocas compañías en el país (localizadas en Sao Paulo, Curitiba y Brasilia), y la Conferencia no marcó un encuentro entre las compañías  brasileñas  en si.

 

Pero poco a poco la necesidad de encontrarse con otros creció. Para finales de 2007, justo después de la Conferencia, Rea Dennis volvió  a Sao Paulo, a fortalecer las conexiones de los practicantes de playback  locales en la gran ciudad. En el 2008, como parte de su proceso de training, Dionisos Teatro de Joinville,  organizó una clase con Rea Dennis y Magda Miranda. En esa clase, practicantes de Curitiba, Florianópolis y Joinville comenzaron a compartir su conocimiento. Otro paso hacia el Encuentro fue la Conferencia Internacional de Frankfurt,en el 2011. Ahí, la compañía Nhemaria, de Sao Paulo, realizó una función llena de condimentos brasileños, reuniendo a todos alrededor de una olla de Brigadeiro, el chocolate típico del postre, así como también  de historias personales, que pudieron ser compartidas por personas de otros 32 países. Ese fue el momento de mirarnos unos a otros y ver que el número iba creciendo, tal como las diversas estéticas y aplicaciones.

 

 

En el año 2014, con las clases que el Centre for Playback Theatre llevó a Curitiba, el camino hacia el Encuentro estuvo claro finalmente. El ultimo día, de la última clase hecha por Jonathan Fox, los estudiantes se miraron unos a otros y vieron que ellos necesitaban tener un contenedor de los próximos pasos del movimiento del Teatro Playback en el país. 

 

 

Cada uno expresó brevemente lo que había aprendido y vivido durante esos días. Toda esa energía creada resultó  en un grupo de personas que se juntó para llevar a cabo la acción. En el 2015, en la Conferencia de Montreal, este movimiento se había reforzado internacionalmente, al ver que los participantes brasileños en el evento, se reunieron para realizar una función a “la manera brasileña”, representando simbólicamente el momento que los practicantes de ese país estaban viviendo. 

 

 

El comité organizador del Encuentro Brasileño fue creado voluntariamente. Víctor, Bernardo y Daniel de Curitiba; Sheila de Sao Paulo; Clarice de Joinville; y Rodolfo de Belo Horizonte se reunieron por casi un año para juntar sus ideas y hacer que ocurriera el evento. Concentrándose en un Encuentro lo más democrático posible, la ciudad anfitriona fue elegida online, los practicantes de Playback brasileños pudieron votar por su preferencia, después de que todas las posibilidades habían sido investigadas y compartidas.

 

De esta forma, Joinville fue elegida para ser la anfitriona del  primer Encuentro de Teatro Playback Brasileño. La locación fue ofrecida por la compañía  Abismo, ubicada en AMORABI, Asociación de Residentes y Amigos del Vecindario de Itinga. Es un espacio comunitario en un vecindario lejano del centro de Joinville. Tiene un espacio cultural y preescolar donde las funciones, clases de teatro, artesanía, entre otras acitvidades, se realizan para la comunidad.

 

Haciéndose cargo de la comunidad y en una naturaleza colaborativa, enfocado en ser accessible finacieramente y asegurar una participación diversa, el Encuentro tuvo una cuota de inscripción de $20 reales (aproximadamente $5 dólares americanos). También se ofreció opciones de alojamiento gratis (en camping u hospedaje solidario). El Encuentro también recolectó donaciones, usadas para pagar los pasajes aéreos de participantes que venían de distancias más lejanas. De esta forma, Joinville alojó en AMORABI 51 participantes de 14 compañías diferentes, que venían de los estados de Santa Catarina, Paraná, Sao Paulo, Minas Gerais, Paraíba y el Distrito Federal.

 

El Encuentro tuvo lugar bajo una constante lluvia, del 9 al 12 de Octubre de 2015. Jonathan Fox estuvo en la apertura, en un video que amablemente había  grabado antes. Los días comenzarían con un caldeamiento de integración. Los talleres fueron realizados por participantes que se habían registrado previamente, y se abordaron temas como: actuación, música, juegos de improvisación, conducción, la escucha del actor, semiótica, teatro espontáneo y meditación. La sesión plenaria se enfocó en el  Playback en Universidades, en la Comunidad, en Corporaciones y por medio de subvenciones. Jo Salas también participó del evento a través de una video conferencia, conversando y respondiendo las preguntas de los practicantes de Playback brasileños. También hubo “Sesiones improvisadas de Playback”, un espacio libre para hacer Playback con distintas personas. Y también hubo una fiesta, con mucha música y fuertes abrazos.

 

Y por supuesto hubo funciones. 5 grupos actuaron.De Joinville estuvieron el Grupo Abismo, Libração (un grupo de personas sordas que hacen Playback) y Cheios de Graça (un grupo de clown). De Florianópolis estuvo Caras de Palco. Y también hubo una función especial con algunos de los más experimentados practicantes de Playback, cerrando el evento con una nota muy alta. Fue en esos momentos sagrados de historias que el Encuentro sucedió. Un encuentro entre los practicantes de Playback y la comunidad local, entre personas sordas y oyentes, entre personas de diferentes ciudades y diferentes orígenes.

 

El Encuentro que empezó siendo organizado por unas pocas personas, terminó siendo la responsabilidad de todos.  Las “cucas” (un pastel típico del sur de Brasil), ofrecido amablemente por la comunidad de AMORABI, fueron compartidos. Muchas personas tomaron la responsabilidad de preparar los coffe breaks. Cada uno se preocupó de encontrar la forma de llevar a quienes no tenían auto. Y la comunicación entre personas sordas y oyentes fue increscendo.

 

 

El Teatro Playback en Brasil tiene muchos desafíos por delante. Tal como el mismo país, es necesario lidiar con un tipo de crecimiento que respete la diversidad. Así como en el microcosmos  de un grupo se necesita entender qué valores deben ser cultivados y qué estética, ética y posiciones políticas se deben tomar. La forma en que un Encuentro es organizado y conducido también refleja las direcciones deseadas para el trabajo. El primer Encuentro Brasileño de Teatro Playback estuvo lleno de empoderamiento, sensibilidad y calidez. ¡Que vengan los próximos!

 

*Clarice es actriz de Dionisos Teatro (Joinville), practicante de Playback desde el 2008 y autora del libro ”Nuestras Historias en el escenario: un Encuentro con el Teatro Playback”.

Contacto: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

Página Web del Primer Encuentro de Teatro Playback Brasileño: http://encontroplayback.wix.com/2015

 

 

Playback Theatre in Brazil: a path towards the Gathering

 

A Report of the 1st Brazilian Playback Theatre Gathering

 

Clarice Steil Siewert*

(with the support of many participants of the Gathering)

Translated by Sheila Donio

 

Playback Theatre was brought to Brazil in 1998 and the pioneer company was São Paulo Playback Theatre. It was also in São Paulo that the 2007 International Conference took place. By then there were few active companies in the country (located in São Paulo, Curitiba, and Brasília), and the Conference did not mark a gathering between the Brazilian playbackers themselves.

 

But little by little the need to meet one another increased. At the end of 2007, right after the Conference, Rea Dennis went back to São Paulo to strengthen the connections of local playbackers in the big city. In 2008, during its training process, Dionisos Teatro from Joinville organized a class also with Rea, and with Magda Miranda. In that class, practitioners from Curitiba, Florianópolis, and Joinville started to share their knowledge. Another step towards this Gathering was the International Conference in Frankfurt, in 2011. There, the company Nhemaria, from São Paulo, did a performance full of Brazilian seasoning, gathering everyone around a pot of Brigadeiro so this typical chocolate dessert, as well as the personal stories, could be shared with people from the other 32 countries. That was a moment to look at each other and notice that the number of groups was increasing, just as their aesthetic diversity and applications. 

 

 

In 2014, with the classes that the Centre for Playback Theatre took to Curitiba, the path towards the Gathering was finally clear. On the last day of the last class, taught by Jonathan Fox, the students looked at each other and saw that they needed to take hold of the next steps of the Playback Theatre movement in the country.

 

 

 

Each one briefly expressed what they had learned and lived throughout those days. All the energy created resulted in a group of people coming together to take action. In 2015 at the Conference in Montreal, this movement was reinforced internationally, seeing that the Brazilian participants in the event got together to perform in “the Brazilian way,” symbolically representing the moment that the country’s practitioners were living. 

 

 

The organizing committee of the Brazilian Gathering was created voluntarily. Victor, Bernardo, and Daniele from Curitiba; Sheila from São Paulo; Clarice from Joinville; and Rodolfo from Belo Horizonte met for almost one year to put their ideas together and make the event happen. Focusing on a Gathering in the most democratic form possible, the host city was elected online, where Brazilian playbackers could vote on their preference, after all the possibilities had been researched and shared.

 

Through this method, Joinville was chosen to be the host city of the 1st Brazilian Playback Theatre Gathering. The location was offered by the company Abismo (Abyss), located at AMORABI – Association of Residents and Friends of Itinga Neighbourhood. It is a community space in a neighbourhood distant from downtown Joinville. It has a pre-school and a cultural space where performances, theater classes, craftwork, among other activities, take place for the community.

 

Taking on a community and collaborative nature, focused on being financially accessible and assuring a diverse representation, the Gathering had a registration fee of R$ 20,00 (approximately US$ 5.00). It also offered free options of accommodation (camping style or solidary housing).  The Gathering also collected donations used to purchase plane tickets for playbackers coming from further distances. This way, Joinville hosted in AMORABI, 51 playbackers from 14 different companies, coming from the states of Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, and the Federal District.

 

The Gathering happened under constant rain from October 9 to 12, 2015. Jonathan Fox showed up in the opening, via a video kindly recorded previously. The days would start with an integration warm-up. The workshops were facilitated by participants that had registered previously, and addressed themes like: acting, music, improv games, conducting, actor’s listening, semiotics, spontaneous theater, and meditation. The plenary session was focused on Playback in Universities, in the Community, in Corporations, and through grants. Jo Salas also participated in the event through a live videoconference, lecturing and answering questions from the Brazilian playbackers. There were also the “Playback Jam Sessions,” a free space to do Playback with a variety of people. And there was also a party, with lots of music and tight hugs!

 

And, of course, there were the performances. Five groups performed. From Joinville there were Grupo Abismo, Libração (a group of deaf playbackers), and Cheios de Graça (a group of clowns). From Florianópolis there was Caras de Palco. And there was also a special performance by some of the most experienced playbackers, closing the event on a high note. It was in those sacred moments of stories that the Gathering really happened. A gathering between the playbackers and the local community, between deaf and hearing, between people of different cities and different backgrounds.

 

The Gathering that started by being organized by a few people, ended up being everyone’s responsibility. The “cucas” (a typical cake from the South of Brazil), kindly offered by the community of AMORABI, was shared. Many people took the responsibility of setting up the coffee breaks. Everyone took care of finding rides for those who did not have a car. And the communication and integration between the deaf and the hearing continued to develop.

 

 

Playback Theatre in Brazil has a lot of challenges ahead. Just like the country itself, it needs to deal with a kind of growth that respects diversity. As in the microcosm of a group, it needs to understand which values must be cultivated and which aesthetic, ethical, and political stances can be taken. The way a Gathering is organized and conducted also reflects the directions wished for the work. The 1st Brazilian Playback Theatre Gathering was full of empowerment, tenderness and warmth. Let the next ones come!

 

*Clarice is an actress of Dionisos Teatro (Joinville), a Playback practitioner since 2008 and the author of the book “Nossas Histórias em Cena: um Encontro com o Teatro Playback” (Our Stories Onstage: an Encounter with Playback Theatre). Contact: dioteatro@gmail.com / www.dionisosteatro.com.br

 

1st Brazilian Playback Theatre Gathering website: http://encontroplayback.wix.com/2015

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